Viramos livro! :)

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Que alegria poder informar que fomos publicados. Lindamente publicados pela Editora Penalux!

Quero agradecer vocês que me lêem. Que emprestam seus olhos, seu coração, sua alma para as minhas linhas. Que se encontram nelas. Esse livro é para vocês e por causa de vocês.

Quero agradecer a Editora que cuidou com qualidade, carinho e beleza de cada detalhe dessa obra. Além do carinho e parceria impagáveis de Wilson Gorj e Tonho Franca, queridos editores.

Quero agradecer ao Ronaud Pereira (www.ronaud.com) por ter escrito as orelhas do livro. Por ter emprestado essas linhas retas, precisas, cartesianas para medir toda a alma do livro. 

Agradecer a João Romova (www.lapisderomova.wordpress.com) por ter prefaciado de forma belíssima o livro com suas letras noturnas, seus grafites.

Agradecer ao Jader de Melo (www.jaderdemelo.com) por essa capa. Você transformou esse livro em um quadro belíssimo. Pintou todo o caminho que tracei com cores, flores, e traços.

Obrigada a todos, todos, sem exceção.

(em breve, volto com notícias de data de lançamento e outros detalhes!)

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Pássaro Tombado

f. almeida, 2011

f. almeida, 2011

Tomba sobre o abismo a alma que não aprendeu a ser dura. Tomba, encurvando-se para fora, tal qual uma colher polida, tomba para dentro do abismo. Tomba, encolhida para dentro, acolhida pela negritude do abismo, encontrando o aconchego que sempre buscou.

Tomba levemente sobre o abismo a alma frágil. Tomba por causa da compreensão do mundo, das mazelas, dos algozes. Tomba solitária. Tombo solteiro na companhia do silente abismo. 

E cai. Sem força, sem luta. Sem qualquer tração. Cai, numa queda livre que desaprisiona sua mente de perguntas, que solta os grilhões da culpa, das dúvidas, do que sempre quis dizer.

Cai e não reluta. Abraça o peso e faz da gravidade uma aliada. Cai solta, desamarrada das prisões.

Abaixo o negro abismo espia e aguarda. Aguarda amplo, vazio de questões, silente, despreparado. Aguarda essa alma de pássaro que agora voa, que plana, essa alma de pássaro que sempre foi livre e não compreendeu jamais. Essa alma de pássaro que a si mesmo se acorrentou em seus infinitos.

Abaixo o negro abismo recebe a alma desse pássaro que nunca mais voará. Que tombou para a liberdade em terras calmas, que se jogou da paz, que desidratou sua própria seiva.

Agora ambos são um. E esse pássaro um breve sopro.

miss demoiselle

 

Pássaro

Pousa teus olhos sobre mim, teus cílios nos meus. Bate asas nos meus olhos, lento. Pousa teu nariz no meu cheiro. Vem seguir o meu rastro e observa por onde andei. Anota o meu caminho, segue o meu arrepio.

Pousa seu beijo no pescoço. Pista de pouso do encosto do teu sorriso.

Pousa teu sorriso em minha orelha, teus lábios nos meus. Segrede alguma coisa sua no volume de um canto particular. Baila seus movimentos nas minhas quinas, nas esquinas, nas curvas.

Pousa teus braços no meu ombro, tua mão na minha cintura. Venha de amparo, venha ter colo. Venha, me enlace. Ciranda teus laços em mim.  Amarre suas vontades na minha espessura.

Sustenta o meu levantar, conduza o meu cair. Se pouse em mim. Me repouse.

 

miss demoiselle

Sobre o tempo

Estimado R.,

Não sei se o tempo ou a vida (quem consegue separá-los?) permitiu que você parasse e sentasse para escrever um pouco. Nem sei ao certo se você conseguiu ser senhor do tempo desde que instalaram-se as festividades.

Grande foi o meu desgosto com a velocidade de tudo. As pessoas, os sorrisos, o afeto e o calor sumiram com a velocidade da luz e tudo se renovou sem que eu também fizesse meu ciclo. Fiquei no meio de tudo, da correria sem propósito e não tive tempo para reflexão.

O que me leva a pensar que isso já é uma reflexão em si: o fato de não ter refletido sobre nada por culpa do tempo. E mais, me leva a pensar o que é mesmo esse ciclo do qual todos falam? Uma métrica desses versos que fazemos sobre a vida, uma forma de delimitar prazos e renovar decisões, uma forma de esperança? O que é mesmo esse ciclo? Um livro que já está preenchido pelo nossos próprios dedos e, inevitavelmente, pelos dedos dos que interferem em nossas vidas de todas as maneiras… Então, o que é um novo ano senão uma continuação?

Visto isso, acredito que o nosso trilhar se submete mais a nós, e aos ciclos que vamos vivendo, do que ao tempo, propriamente dito. Nosso horizonte não obedece nossas especulações e tentativas de acerto. Nosso horizonte é um eixo que corre livre, independente, enquanto somos, tão somente, o gráfico projetado, entre tudo o que sobe e cai.

Vê? Escrever-lhe é refletir. Direcionar-me a você, R., é poder pausar. É deixar o tempo ser livre e desamarrar meus grilhões imaginários.

Posso, hoje, dizer que refleti depois de tudo. Não quero fazer o balanço que pretendia do ano anterior. Porque o ano anterior não existe. O que existe é o que sou. É o que sobrei depois de tudo, é o que me tornei depois de tudo. O que existe são meus calos. E, o que virá, virá. Livre, senhor de si, independente de mim.

Tomara que esta carta lhe encontre  bem. Em algum lugar escuro que te ajude a medir a minha (c)alma.

Tomara que esta carta lhe penetre a centelha e que se misture com suas próprias reflexões.

Um grande abraço.

A amiga de sempre,

miss demoiselle

O meu jasmineiro

E o meu jasmineiro floresce após um rigoroso inverno Vejo agora os seus botões brancos rasgando o vinco verde. Vejo a paz nascendo na esperança. Vejo o que restou da seca: um tapete.

E meu coração agora nasce depois de abrir as janelas. As pálpebras de madeira agora se expandem para deixar que os tico-ticos se aproximem, para que o canto percorra todo o dentro. Cada sombra banida por uma celebração.

Meu fôlego agora cresce pois já não faz esforço tanto para se aquecer. Consegue deixar, dividir, acolher, trocar. Os segredos que a leve brisa traz, as horas claras que agora substituem a escuridão. O sol que varre as quinas. Beija a madeira fria.

Meu jasmineiro brota branco. Grande. Pronto. Como se não tivesse perdido tudo, como se suas pétalas nunca tivessem sido maltratadas pela aridez, como se seus pés não tivessem secado. Como se toda primavera fosse hoje. Fosse sempre.

Assim o amo. Por isso o cultivo. Essa habilidade de ser machucado e jamais matado. Por sua habilidade de voltar mais vivo, de se guardar por dentro. De ser ferido e não amargurado. De ser buquê à primavera e, diariamente, grato ao inverno. Grato a tudo o que lhe foi seco para que, hoje, ele fosse mais alvo.

missdemoiselle

O Seu Desenho

Coloca
sobre a mesa a marca da sua xícara,
sobre o lençol o traço do seu corpo,
sobre meu rosto as linhas do seu sorriso.

Deixa
sobre o meu caderno a sua letra
no meu ouvido o seu sopro, e
entre meus dedos seus cabelos.

Esqueça
em volta de mim os seus braços,
em meus cantos a sua sombra, e
em minhas memórias sua presença

Voa
em todos os seus caminhos,
para todos os seus destinos,
dentro de seus sonhos e

Retorna.
Suave, sem dor,
que a morada do seu Pouso,
já tem seu desenho,
suas formas,
seu aconchego,
seu travesseiro ainda fundo.

 

miss demoiselle

Letras e Flores no Jornal RelevO

O Letras e Flores teve uma fração de seu jardim plantado em um Relevo plano, propício para florescimento, fértil para crescimento. Uma fração lindamente impressa em preto e branco, decorada por um desenho em guache.

Estamos na Edição Outubro do Jornal RelevO. Um literário curitibano que resolveu desenhar novos poetas, entregar papel às penas, dar vida às almas.

Jornal RelevO

Meus agradecimentos ternos a Daniel Zanella, ao Jornal RelevO, e aos meus leitores que enchem as linhas com os olhos, que enchem a vida com a alma.

Acesse o Jornal RelevO aqui.

Desenho de Emerson Persona.