Para ser inteiro é preciso se dividir

Amo a generosidade. Amo o generoso.

Amo quem se doa, quem não conta o sacrifício que fez, amo quem não conta o preço da ajuda.

Amo quem ama voluntariamente, quem cancela o débito, quem facilita o troco, dá carona até em casa, carrega as sacolas.

Amo quem desvia o caminho para ajudar atravessar a faixa, quem não se importa com o farol aberto para explicar o caminho.

Amo quem se molha pra emprestar a maior parte do guarda-chuva pro amigo, quem formiga o braço pra não atrapalhar o sono do outro que repousa a cabeça.

Amo quem abraça apertado para ver se estancando o coração diminui a dor do outro, quem perde a hora da reunião para conversar com quem enfrenta um luto. Amo quem quer entender o problema de verdade, quem escuta com o corpo.

Amo quem ri largo, quem tira sorriso dos outros, quem exagera o elogio, quem pula de felicidade pela união alheia mesmo se não for convidado pro casamento.

Amo quem não comenta sua magreza perto de quem tem mais. Amo quem não se gaba perto de quem tem menos. Amo quem se importa.

O generoso é mais do que inteiro. É a soma dos outros, é uma devolução. O generoso é uma retroalimentação.

Já a mesquinhez eu temo.

O mesquinho faz questão dos centavos, dá carona até o meio do caminho, fala meias palavras e sempre diz que entendeu o que nem ouviu.

O mesquinho ama clichês e começa a conversa encerrando. Mede de cima abaixo, fala com a mão na boca, dá meio olhar pros outros. O mesquinho come dois bifes, pega o copo com mais bebida e não faz silêncio no sono do outro.

Temo a mesquinhez porque quem é mesquinho nos centavos do troco, deve ser mesquinho nos sentimentos. Deve amar tirando vantagem, deve carregar o amor como troféu.

O mesquinho é um cara pela metade; morre de fome com o prato cheio, porque só enxerga o que é espelho.

miss demoiselle

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About Tâmara Abdulhamid

palestina, engenheira e blogueira… …mas, é muito injusto uma vida inteira para viver e me definir por linhas. Por isso, espalho pedaços de mim em vocês, nas linhas, naquilo que invento e chamo de amor. Por isso existe o café. Para que você entre, me abrace, se aconchegue, converse e deixe o amor acontecer. De qualquer jeito, do jeito que couber, do jeito que for.

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