O amor é cama

O amor é cama. É nele que me jogo e descanso. Não me perturbo com o amor. Quando sei que está lá, firme, sobre quatro apoios, eu simplesmente deito. Devagar ou me jogando, mas sempre deito. Não me pergunto se o amor está mais frio que ontem ou menos fofo do que semana passada. Não me perturbo com o fato de que o amor pode mudar, ou aumentar. Não me pergunto se é grande ou se só me cabe. Basta portar o pés para dentro. Se tiver isso, me adentro e fico ali, recolhida. O amor é cama, onde posso dormir. Onde escolho confiar minha mente, onde escolho abandonar minhas reservas, onde escolho ser íntima, sem sapatos. Onde jamais deito suja, onde jamais deito com roupa da labuta. Não trago o labor para a cama, não recepciono meu descanso com tormentos. Não estrago a paz com venenos e moldes. O amor é cama e o gozo do amor é o sonho. Afrouxo minhas defesas e mergulho sem saber se irei acordar. Gozar do amor é paz. Eu me jogo sem saber do amanhã, sem saber se dali sairei viva. É o amor que me leva para o outro dia, é o amor que me renova. É pelo amor que espero o dia inteiro, que enfrento minhas batalhas. Não deito em minha cama com o medo de que ela irá se quebrar. Não me espalho perseguida pelo sentimento de que ela irá virar sozinha para a esquerda, sem que eu não tenha, antes, provocado isso. Não olho com desconfianças para a minha cama. Quem a escolheu fui eu. E ela, sendo receptiva e indo parar no meu quarto, no seio da minha intimidade, sem relutar, também me escolheu. Então, não sofro. Nem com a possibilidade de que ela irá se desgostar de mim no meio da minha noite, que irá me rejeitar no cochilo do domingo à tarde ou que um dia se partirá ao meio. Sozinha, por vontade própria não irá. Por isso não me perturbo, porque também sei o que faço. Não a esfaqueio, não a deixo suja, não a maltrato. Eu zelo pela minha cama. Eu compro travesseiros. Eu a enfeito, a perfumo. Faço por ela, por mim. O amor é a minha causa e todas as minhas consequências de uma vida boa, em uma cama boa.

miss demoiselle

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About Tâmara Abdulhamid

palestina, engenheira e blogueira… …mas, é muito injusto uma vida inteira para viver e me definir por linhas. Por isso, espalho pedaços de mim em vocês, nas linhas, naquilo que invento e chamo de amor. Por isso existe o café. Para que você entre, me abrace, se aconchegue, converse e deixe o amor acontecer. De qualquer jeito, do jeito que couber, do jeito que for.

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