Gigante.

 “eu reinvento a minha perspectiva”
lya luft

Eu quero viver e morrer com a mesma intensidade.

Quero volume, o maior dos timbres. Quero gritar todo o amor que tenho dentro de mim e pular da altura que me apavora. Quero voar e aterrissar essa minha alma de pássaro nos cabelos que caibam meus dedos, no sorriso que recebe meu beijo. Quero perder o ar de vista. Quero uma gaiola que me escape. Quero passear em feitos, posar nesse peito e extrair o fôlego da timidez.

Quero sussurrar frases dos meus clássicos, e cantar os versos das coisas novas, inventadas. Quero roer as unhas, acender um cigarro e afundar minha melancolia em um colo. Quero dançar de salto alto, colo aberto e gargalhar o meu sanguíneo para o teto. Eu quero ir embora. E ficar.

Eu quero viver. E morrer desse mesmo tamanho.

Quero ser enorme. Caber e me aninhar nesses braços fortes. Quero ser uma boneca com uma caixa de regras para seguir. Quero rasgar essa agenda e rabiscar todos os planejamentos. Eu quero voltar e me assentar. Quero ser assento.

Quero me perder e talvez nunca me encontrar. Quero me espalhar como pó debaixo desse travesseiro e que me sopre pela janela quando terminar de cheirar meus cabelos. Que meu perfume persiga o nariz, que esses cílios fiquem grudados em mim.

Eu quero viver. E morrer de todas as maneiras.

Quero voar. E percorrer aqui, além, ali. Quero andar, sentar no colo quente e não mais retornar. Quero meu ninho. Quero me espalhar e deixar vestígios. Quero perder as sandálias nesse caminho.

Quero peregrinar: na vida alheia, na risada gostosa, na alma de quem me rodeia. Eu quero paladar: de sabores picantes, de puro cacau, de tanta ternura, de pipoca-doce. Quero provar:  o céu de estrelas, o cesto do balão, a brisa rarefeita, a língua quente, a rochosa da lua.

Eu quero morrer e viver de todos os tamanhos.

Na copa da árvore, na colmeia da abelha, no radar da formiga, no último livro da estante. No jogo do Mário, na espaçonave dourada, em Marte, na rua, no carro, em qualquer parte. Aonde não me porte, aonde me suporte. Todo lugar que me sobre.

Eu quero morrer e viver nessa roda gigante,

que ora me olha, que ora me joga, que ora me mata, que ora me falta,

mas que sempre é grande.

miss-demoiselle

 

 

 

 


Cré
dito | Foto  de  Demetrius Soares | facebook.com/demetrius.soares.5

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About Tâmara Abdulhamid

palestina, engenheira e blogueira… …mas, é muito injusto uma vida inteira para viver e me definir por linhas. Por isso, espalho pedaços de mim em vocês, nas linhas, naquilo que invento e chamo de amor. Por isso existe o café. Para que você entre, me abrace, se aconchegue, converse e deixe o amor acontecer. De qualquer jeito, do jeito que couber, do jeito que for.

4 thoughts on “Gigante.

  1. Eu quis que a vida fosse isso. Que a vida fosse um constante morrer de amores, de felicidade, de excesso de sentimentos só bons.

    Eu quis que a vida fosse tuas palavras. Tua poesia. Teu mundo, quando escrito. Teu lápis.

    Eu sou feliz que a minha vida tem você.

    Foi lindo, moça. Saiu daqui tirando o pó das asas para descansar no próximo arco-íris que tuas vírgulas pintarem.

    • Jaya, minha queridinha,

      Você me alegra tanto com sua visita e suas compotas que fico aguardando um novo chá para ver você novamente. Minha vida tem doçura também por causa dos seus potes.

      A vida podia bem ser assim mesmo, com essa altura e toda essa largura. Começando sempre, como uma roda gigante.

      Venha sempre, voando.

      Um beijo,
      da miss

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