Do alto, para João.

[Do alto, Miss

… para entender, João]


resposta a [Missivas de João]


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Meu estimado João Romova,



Dizem que quando se vê as coisas do alto, se vê melhor. Subi ao teto e sentei-me; eu e a xícara de chocolate, para escrever-lhe. Assim enxergo melhor aquilo que quero dizer.


No mínimo fascinante foi o encontro à quatro. Meia-luz, bebidas, sons. Cada um com seu material; flores nas mãos da menina, poesia quente do cantor, canetas vermelhas berrantes – berrantes do menor – lápis na mão de você. Uma dança, por assim dizer, com passos sem definição, mas com encaixes cheios de uaus.


Devo dizer que a carta que me enviaste fez a minha alma poeta descobrir que canta. A menina além das asas, agora quer voar e descobrir essa varanda que declamaste. Quer entender a poesia de namorar estrelas, de passear no céu, de vestir o manto. Além do alto, quer voar e catar as flores que nascem no topo das copas para evitar que elas se sequem. Ah, João, podes ver o que fizeste (…) ?


João, João… você é como uma xícara de café. Sem almíscar, canela, ou chocolate de menta. É puro café. João é sentar-se na varanda, é brisa, é desespero, é trago, é calmante. João é conforto. Posso assim dizer que café é poesia, pois João de todo é manso, acolhedor, suspenso. Então é isso. Subi no teto para me sentir como João me faz. Suspensa em suas linhas e navegante em seus pensamentos.


Cansei de sentar pois não vi muita coisa de diferente daqui de cima. Deitada, posso ver o céu e, então, resolver voar para mais alto. Fico imaginando seus dias de solidão. Seu olhar perdido na janela durante a madrugada fria e o silêncio da noite te recepcionando. Imagino quando reclina em sua poltrona, retira os óculos, esfrega os olhos e tapa os ouvidos como se quisesse silenciar um pouco aquela poesia rabugenta que lhe fala aos ouvidos todo o tempo. E sente que precisa de café.


Um gole. E a poesia cala. Restando apenas o que é João. João é a mistura de todas as cores e a ausência de todas elas. É o preto no branco. O veloz e a suma. A palavra e o silêncio. João abraça. É gentileza, e afeto. É poeta em essência, é essência de sua própria poesia. João é café. Puro café,  sem amêndoas. João é João por si só, por saber ser.


Parar para escrever é sempre um bom começo. Parar para reler. Parar para ver. Para entender. Sentir. Para ver, João (…).


Enfim, Maria termina o seu outono. Toma a flor João, que é chegada a Primavera.



miss demoiselle

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About Tâmara Abdulhamid

palestina, engenheira e blogueira… …mas, é muito injusto uma vida inteira para viver e me definir por linhas. Por isso, espalho pedaços de mim em vocês, nas linhas, naquilo que invento e chamo de amor. Por isso existe o café. Para que você entre, me abrace, se aconchegue, converse e deixe o amor acontecer. De qualquer jeito, do jeito que couber, do jeito que for.

5 thoughts on “Do alto, para João.

  1. Pingback: Cartas e Missivas « Lápis de Romova

  2. Miss!
    Querida, ah, já é querida!
    Eu ADORO o João!
    é uma bomba de chocolote no meu dia! *-*

    Sobre o meu post, ah, é uma dor que eu tou sentindo. Mas vai passar, vai passar quando eu crescer e tomar vergonha na cara!
    HUASHAUSHASU ._.

    Um beijinho acenourado!

    • Nanda, querida Nanda…

      quanta honra saber do ‘querida’ … também já me é!

      ah…João é um docinho de côco 🙂

      e sobre a sua dor, por maior que seja, ela um dia passa…vai deixar marcas, mas vai passar…

      um beijinho…

      da miss

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