Sobre o tempo e papéis.

Da minha mesa, 12 de fevereiro de 2009,

quinta-feira de chuva.

ajuntei uns papeizinhos picados em cima de minha mesa e ali escrevo para mim “coisas” que me vêm à cabeça, como por exemplo, aquelas frases boas de se começar um  texto. No momento, eles me fazem mais companhia do que os livros, uma vez que estes andam me dando muito trabalho de ter de sair do meu plano e entrar no mundo fantasia. Não sei, é trabalhoso e não consigo fazer isso no momento. Afinal de contas estou num momento meio egoísta, onde só tomo chocolate gelado e cereais (soube que dão energia, talvez seja isso). Estou gostando dos papeizinhos, sabe?  Eles são muito sinceros, são no formato exato daquele momento. É como uma fotografia daqueles segundos rápidos que seguram aquelas frases que passam por minha mente e depois somem. O bom é que agora não somem mais. Afinal, eu as capturo e ficam presas para sempre. Uma ou outra eu tenho soltado à liberdade,  mas percebi que – uma vez capturadas – elas nunca mais voltam ao plano do pensamento. Criam vida.

já estava na hora de fazer algo assim por mim. estava achando aquele papo de quilômetros de página um tanto chato. Se bem que minha mesa está chata também. Pra você ver, tenho um vaso de flores rosa-choque, uma caneca, papéis e lápis soltos. Um tanto antipática, não acha? Agora os papeizinhos deram um ar mais solto à ela. Fico pensando no povo americano, e em como eles devem estar se sentido mais leves com o novo presidente. É assim que eu me sinto. Livre.

em contrapartida, acho que ando muito presa ao tempo. Ele não me respeita mais. Anda e tiquetaqueia como se fosse dono de si. Ele não me espera. Ele esfria o meu café e faz a lenha da lareira ficar preta. Isso porque nem citei as marcas de expressão que já noto quando sorrio – elas demoram a desaparecer. Ele só sabe andar para frente e fico com pena, porque é tão bom a gente perceber que está na direção errada, que se enganou, e voltar atrás para corrigir. É tão bom não ser tão duro na queda, ser mais mole, menos rígido, menos endurecido. Mas, ele não liga pra o que eu digo. Ele continua andando naquele ritmo tenebroso que, quando tudo silencia, ele se faz notável.

agora mesmo a chuva lá de fora tenta me lembrar das coisas boas. tenho orgulho, sabe, da minha mesinha antipática. Ela me cobra muito, assim como o tempo, mas me fazem companhia também, não posso negar. Pelo menos ela carrega os meus papéis e uns pensamentos bobos que só. Mas, que foram tão divertidos de pensar e arriscar escrever. O baú também me olha toda noite, meio desconfiado, meio com desejo de ser aberto. Mas, sobre ele eu escrevo na próxima. Não ando querendo mexer com isso agora.

na verdade, vou ficar por aqui também com você. Estou precisando tomar um chocolate. E, enquanto o tempo me dribla, eu sigo feliz olhando pros meus papeizinhos que tanto têm paciência comigo de passarem horas a fio, vazios e brancos, até que eu rasgue a branquidão. Mas, eles me esperam e me ajudam a depositar aquele infinito de idéias em minha mente as quais, outrora, não queriam me deixar dormir. Francamente!

abraços,

 missdemoiselle

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About Tâmara Abdulhamid

palestina, engenheira e blogueira… …mas, é muito injusto uma vida inteira para viver e me definir por linhas. Por isso, espalho pedaços de mim em vocês, nas linhas, naquilo que invento e chamo de amor. Por isso existe o café. Para que você entre, me abrace, se aconchegue, converse e deixe o amor acontecer. De qualquer jeito, do jeito que couber, do jeito que for.

11 thoughts on “Sobre o tempo e papéis.

  1. Oi miss demoiselle! Faz tempo que não leio seus textos… mas não consigo imaginar uns pensamentos bobos vindos de você. E quanto ao tempo, me lembro daquela menina atenta nas aulas de algebra. Parece que foi ontem…

  2. “vc tem que escrever algo sobre bancos de praça e tampico”
    olha as aves que gorjeiam ai não gorjeiam como as daqui “tenho certeza isso tudo e saudade de pasárgada.bjo Tam, meu e da Renata .

  3. Ontem vi um documentário sobre Drumond. A cada poesia recitada durante o programa, as lembranças dos teus textos mais e mais me vinham à mente. Como é forte a ligação do que eu aqui encontro com o que ontem eu ouvia!

  4. tentando manter o título do link de comentários…
    “sem comentários ainda”…

    pensamentos são centelhas, não são como um concepção que, ao não seguirem, são traumáticas… por demais…

    mas centelhas brilham, por pouco tempo, mas mostram, a escuridão não prevaleceu, e nem prevalecerá. Até que, depois de tantas centelhas-mártires, nasce alguma poesia em nós, alguma prosa serelepe…

    seus papeizinhos me alegram por demais…

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