Levou consigo nossas cores…

 “…para nós, que amamos as letras, tirar a trema, os hífens, os acentos… é tirar o quê?  alguns de nossos dedos ou algumas cores dos nossos olhares?”
(João Romova)

 

Porque para nós, escritores, a mudança leva embora consigo a Arte, a perfeita colocação das diferenças, das proparoxítonas acentuadas, dos acentos diferenciais… Leva embora aquela brincadeira tola de fazer trocadilhos, de sorrir com os hífens mal-colocados, de trocar qües por ques…de brincar de não acertar. Privaram-nos do direito de escolher usar ou não, e – pior – estamparam a vergonha do Português nú na nossa amada papelada da Constituição! Demoram tanto com as ementas, mentem tanto, engavetam outros tantos…e quando resolvem mudar a nossa ferramenta, imprimem no pôr-do-sol e publicam ao nascer. E as próximas gerações? Onde estará o lamento dos erros dos hiatos mal-posicionados? Qualquer um acertará, qualquer um poderá, sem mínima instrução. E nós, escritores, estaremos fadados a errar, toda vez que quisermos escrever o antigo Português correto (…).

A popularização da cultura não é sinonímia de avanços.
(O Eremita Urbano)

 

 

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About Tâmara Abdulhamid

palestina, engenheira e blogueira… …mas, é muito injusto uma vida inteira para viver e me definir por linhas. Por isso, espalho pedaços de mim em vocês, nas linhas, naquilo que invento e chamo de amor. Por isso existe o café. Para que você entre, me abrace, se aconchegue, converse e deixe o amor acontecer. De qualquer jeito, do jeito que couber, do jeito que for.

14 thoughts on “Levou consigo nossas cores…

  1. Sim, concordo..

    O problemas é que, enquanto isso, seremos protestantes do velho português, amalgamados com o lixo enquanto não formos reconhecidos depois de mortos como os velhos literários…

    Eu não me resignarei do velhor português..mas, para isso terei de desobeder a Constituição?

    Confesso ser sinistro esse impasse..Já basta o coletivo de palhaços no cenário político americano…

    Abraços!

  2. Hum, se proibissem a pintura abstrata, Jackson Pollock teria existido? Se dissessem que a guitarra não faz parte da norma culta da música, não haveria rock? Ah, e não podemos esquecer dos romances de Guimarães Rosa, que definitivamente não seguiam a norma culta (e ainda não seguem).

    Duvido, e duvido muito, que aqueles que amam o uso da trema, do hífen e do acento em “pára” vão deixar de usá-los. Acredito que até mesmo o rótulo de errados será um estímulo, num país que, mais cedo ou mais tarde, terá “a gente” como pronome ou “peneu” no seu vocabulário formal.

    Sim, as regras irão mudar, as normas vão mudar, mas isso não significa que NÓS precisemos mudar. Deixaremos registrados nossos protestos simplesmente escrevendo do nosso jeito.

  3. Acabo de escrever um texto sobre o tema. Estou com uma sensação horrorosa de analfabeta, temo que daqui 4 anos serei uma parva achando que sabe escrever!

    Bom, já que você pediu vou apagar o comentário da falsa Tâmara. Nem sabia que a malvadinha era fake!

    Um abraço

  4. Ronaud, concordo que muitas mudanças feitas, do Arcadismo até hoje foram mais do que necessárias…mas, eses detalhes que foram mudados atualmente vejo como parte da arte. O saber posicionar acentos e hífens é artístico e trabalhoso…

    Obrigada pela visita!!

    Abraços!

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