Je ne comprends pas

Não reclame, minha senhora. O mundo é assim mesmo. Uma dia alto, em todos os outros baixo. Um dia luz, outros noite. Num dia lula, nos outros ministros, senadores, deputados, vereadores. Num dia de sol, noutros enchente. Um dia brilhantes, nosotros estúpidos.

A Teoria do Caos baseia-se em que uma pequena variação nas condições em determinado ponto de um sistema dinâmico pode ter conseqüências de proporções inimagináveis. Mas, não pensamos nisso quando vimos o Brasil crescer nas mão de Vargas. Nem quando nos ajoelhamos diante da Democracia em 46. Pluralismo partidário, eleições diretas e direito de contestação pública era palavras lindas de se dizer! Ave, Democracia Santa, que nos libertou da escravidão de nossos dias nas mãos do milicos. Mas, logo vieram os democráticos Fernandos-amores. Amores por si e pelo dinheiro público. Amores de elite, amores sem-igual.  Amores de tempo novo, chamamos paz e amor, pagamento da dívida externa, Brasil do futuro, protecionismo, valorização do público, biodiesel, cachaça. Clímax do brasileiro sossegado e feliz…e democrático!

O mundo é assim, minha senhora! Pra quê tanto rolo? O mundo é feito de etcéteras. Não vê que um dia fenômeno, noutro anônimo pagador de travestis? Um dia européia, noutro lixo ambulante! Entre mandacarus e sãofransiscos, fome. Entre tecnologia e ciência, morte interior. Prostitutas e executivos, copacabana. A loira versus o negro, muçulmano, obama, osama. Os cães ladram, os donos veneram, hotéis de cachorros, mordidas de cachorros, morte de humanos, pais cachorros, menina jogada da janela. China, exponencial, topo, pequim, olimpíada, quem corre mais do terremoto? Não vimos nenhum chinês com medalha de ouro, mas roupas maculadas de sangue, sangue de bebês de outras mães, soterrados nos escombros. Brasília, bonitos ternos e gravatas que representam…o amor de calheiros, a tatuagem de mônica, a pensão gorducha, a lipo da moça magra. Que representam…com terno e gravata? Governo brasileiro que se acha importante por seus tecidos italianos e sapatos de acolá. Bermudas e chinelos corromperiam menos vossa mente? Não se esqueçam da gravata.

Adora flores, minha senhora? Mas flores ficam bem em velórios. Não em casamentos. Velórios representam as flores que hoje vivem, se alimentam e morrem em seguida. Casamentos deveriam ser ornados por plantas plantadas em vasos de barro. Quando não cultivadas diariamente, viram flores de velórios. E nossos bosques que têm mais flores, dando lugar aos canaviais. Biocombustível. O feijão sobe, o biscoito sobe, o arroz sobe e o milho some. Crise alimentícia. Já passávamos fome, agora então nos paguem pra isso, pelo menos. Teoria do Caos. Nossos peitos que antes tinham mais amores, hoje dando lugar para o sexo desenfreado, e a prostituição que virou fetichismo de gente virgem. Hoje nossos seios têm menos pano, e nossas moças menos moças, classe média mais alta, sem flores (de casamento), igrejas vazias, boates lotadas, fazem prostituição artística, bo”arte”,  almejo. Desejo. Flores.  

Lembra-se disso no populismo? E o ardor dos intelectuais pelas causas populares em 45? Não durou. O casamento de sarkozi. Vai durar? Os ideais perdidos de putim (perdidos), a terra dos índios que não é nossa (perdemos) , mas deles (ganharam), que não é deles (perderam) e que um dia será dos englishmen (venderam). E a logística? Palavra bonita do século nosso, que ninguém sabe o que é. O impeachmeant (que é coisa de algum fernando).  O carnaval, a carnivália, o carnificio, os sanguessugas (voltamos aos ternos italianos , que teoria complicada..!). E as festas populares de gays coloridos e frangosos na Paulista, lotadas festas como as dos socialites jornalistas que se dizem sociais mas preferem entrevistar almofadinhas e cortininhas…Nunca os vimos nas rocinhas. Populismo, populares, população, faminta. 

Mas, chega de falar de ganhos, minha senhora. Perdemos tanto…ontem jorge, hoje zélia. Uns perderam a moral, outros também. Um perdeu a namorada, a namorada perdeu o outro, o outro perdeu a cabeça, o mundo perdeu os três. O senador morreu, os outros estão ameaçados. Nós perdemos dinheiros e aqueles, as esperanças. Uns perdem a vergonha, todos o ânimo (para isso, viagra). Perdemos o jornal, mas nunca a novela. Perdemos o livro, mas jamais a vida dos outros. E eu, minha senhora, perdi a fome e o sentido do texto.  E perdemos tudo o que é virgula, travessão, aspas, colchetes. Menos o ponto..e os etcetera.  

 

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About Tâmara Abdulhamid

palestina, engenheira e blogueira… …mas, é muito injusto uma vida inteira para viver e me definir por linhas. Por isso, espalho pedaços de mim em vocês, nas linhas, naquilo que invento e chamo de amor. Por isso existe o café. Para que você entre, me abrace, se aconchegue, converse e deixe o amor acontecer. De qualquer jeito, do jeito que couber, do jeito que for.

39 thoughts on “Je ne comprends pas

  1. É,Dio…conseguiu resumir o texto em letras..pouquíssimas letras…!

    “Posse sortuda” dá um excelente texto, que aliás estamos em pendência com isso…breve…!

    Obrigada pela visita,mi amor 🙂

    Beijão 😉

  2. Falhou lindica!! Quase sempre isso acontece, aliás vem acontecendo a anos, a partir do dia que acreditaram no descobrimento e na posse sortuda.

  3. Jourdan,

    Não é revolta…é um ponto de vista próprio…um não-conformismo, um combate à “a vida é assim mesmo”, um choque na realidade, uma tentativa de esclarecer os fatos, uma tentativa de desemburrecimento…que falhou,é claro!

    Abraços! 😀

  4. De molho, João…
    meu corpo deu uma freiada…
    mas, logo retorno.
    e voce, como está?
    a proposito, belissima narrativa, vou comentar em breve quando tiver palavras a altura!

    abraços…

  5. Agora sim, depois de reconhecidos os espinhos não posso fazer outra coisa senão dizer
    “Ó TEMPORA, Ó MORES”

    Olhar e procurar esperança é algo desafiador, quase utópico, como a própria esperança tem sido. Estamos repletos de falácias, repetidas, tolas. Uma verdade multifacetada, ausência de um absoluto, tolos assumindo as cadeiras de intelectuais, uma burrice reinante até no meio que deveria ter como bandeira “a verdade, o caminho e a vida”. Instituições falidas, a pessoalização e a individuação de tudo, um feminismo burro, um isso, um aquilo.

    Que fazer diante de tanto caos? Primeiro, identificá-lo, denunciá-lo e, a despeito de tudo e todos, ainda manter-se vivo, abudantemente vivo.

    abraços,
    João

  6. Foram palavras nem um pouco aleatórias, tentando parecer que são…!

    pois saiba que as “tais” palavras aleatórias me enganaram direitinho! (adoro o mistério e a inconsciência das palavras…)

    João

  7. Didi,

    Obrigada por notar, porque na verdade é o que eu tento passar…sem extremismos, mas também sem amolecer o posicionamento! 😉

    Hehe…aí a morena jambo vai pro céu de ego inchado! 😀

    Beijos,
    Tâm

  8. Nam,

    COMO SEMPRE NOS IMPRESSIONA COM QUE LEVEZA E AO MESMO TEMPO OUSADIA VC ESCREVE SEUS TEXTOS , QUE BOM VC NÃO TER PARADO APESAR DO POUCO TEMPO.
    AH MINHA MORENA JAMBO LINDA VC É DEMAIS !!!
    BJOS,
    DIDI

  9. Fernando,

    acho tão bom ler seus comentário e ver o quanto continua um amigo atencioso, carinhoso e dedicado a me deixar contente.
    Comparar minhas palavras soltas com silogismo é o maior dos elogios! 🙂
    E a frase “…você brinca com as palavras e cada frase caminha com a vida”, não vou me esquecer jamais!

    Você é um amigo de vida inteira,meu querido!
    E, graças a Deus, não se assemelha às coisas de fernandos que citei no texto 😉

    Beijos e
    imensas saudades!

  10. Adoro ler seus textos porque você brinca com as palavras e cada frase caminha com vida.
    O silogismo impera…
    Que mundo nosso é este, não? Ou seria melhor perguntar que tempo é este em que nós vivemos? Uma novidade é o clamor dos novos tempos, você realmente disse bem, Teoria do Caos!
    Senhor, tende piedade de nós!
    Um grande abraço a você!
    Saudades! Saudades…
    😉

  11. Miss Demoiselle, fiquei taciturno perante o que escreveu, pois fui e voltei na historia várias vezes. Voce escreve belissimamente bem! Até ler seus textos eu nao sabia que estava com sede.

    Abraço a voce,miss.

  12. Mamãe,

    e eu não consigo entender como você pode ser cada dia melhor do que um dia atrás…

    obrigada por sempre estar aqui, e sempre me apoiar!

    te amo mais que comer sonho de valsa! 😉

    Beijo..!

  13. Nan,

    o Rodrigo tem razão de te parabenizar.
    Você está cada vez melhor!

    É incrível a forma como você nos envolve com seus textos. A harmonia entre a letra e a melodia que você cria faz com que a gente se desligue – ainda que por poucos minuto – deste chão que cada um tem dentro e fora de si mesmo.

    Parabéns,menina!

    Beijos,
    mamãe

  14. Como deveria haver em todo bom bouquet, um espinho aqui e outro ali. (Quem disse que o belo tem que ser indolor?)

    PS: costumo ir e vir para comentar. Nem sempre as palavras saem assim tão fácil diante de um bom texto. Volto já já.

    Abraço

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