Quente ninho.

agosto 21st, 2010 § 14 Comentários

Veja bem, foi você
A razão e o porquê
De nascer esta canção assim
Pois você é o amor
Que existe em mim…
[da Mata]

É porque agora o meu coração está mais quente que estou a lhe carinhar, menino. Devolvi a você o meu pedaço de alma e te perfumei gostoso com aquele jasmin. Que velho que ficou sem o meu sorriso e a minha pele boa. Que bobo que está assim, agora, sorrindo ao me ver tagarelar. É porque eu amo você, amo matar esse tempo, amo ficar aqui. Lendo, lendo e relendo é porque deu saudade dos anos que passaram. É como se fosse o vento, cada palavra sua, cada gostosura que abri e chupei tal qual a bala mais docinha que a mãe um dia me deu. Te saboreio, menino, sem saber de cáries, nem me deixar levar por tempos, sem saber de perigos. Te saboreio meio sem pressa, pra ver se é de caramelo ou chocolate, pra saber os dois.

É porque você deixou recado, você deu aquele sinal, e aqueceu meu coração. É quase um pecado o que estou a sentir.. uma vontade de entrar em você, igual no mergulho das aulas que nunca quis saber. Uma vontade de te furar pra morar aí dentro no resto do meu mundo, dessa minha vida. Viver aí, nesse conforto, nesse balanço. Mas, você é terrível, menino, porque a minha alma não cabe em mim, mas encontra abrigo em você. Por isso quero morar aí, nesse fundinho de você, nesse lugarzinho bom. Me leva praí que você também fica mais novo comigo, eu já vi, fica mais moleque. Me leva praí, pra gente ser essa alma toda, nessa rede de praia. Pra gente ser essa alma toda tão pequenininha, de chinelos e sorrisos.. meu menino, poesia pra mim, que essa sua vida me enche de calor. Poesia pra mim, que essa sua voz não me sai da cabeça. Esse seu balanço.

Meu amor.. você me carinha, eu estou perplexa. É tanto amor aqui nesse pote.. é tanto beijinho nessa festa..(!). É tanta alma aqui nesse meu peito que quase explodo, eu quase morro, meu amor. É alma demais que esse meu corpo não aguenta. É alma que corre tanto, e aí vem você me ensinando a correr, a não fingir. Aí vem você, coisinha, se orgulhando da minha alma e puxando ela lá, com pinça. Você me descobriu, meu bem.

Mas, não é porque é você. É que às vezes a vida minha é assim mesmo.. fico tanto tempo na caverna, tão guardada e tão solta, que quando saio encontro você e os outros. São tantos versos que tenho pra cantar, são tantas poesias que falam de mim, são tantas as canções que vêm morar no meu peito, são tantos os amores que eu sinto que não é só você que me deixa quentinha, coberta. São os cantores, meu amor. São os poetas.

Não chora, não. Eu não mudei. Cada dia eu te dou um pedacinho dessa barra toda. Cada dia eu te mando um pouquinho dos meus beijinhos, dos meus jilós. Dos meus feitiços, do meu vestido de poá. Não, não chora que dói mais. Dói porque tá querendo pôr pra fora, dói porque vai inchar, mas vai sarar também, depois que o nariz desentupir e o vento voltar a circular aí.

É que tem alma demais aqui, e quando você me aquece, parece que morro… daí eu nasço de novo, e torno a ser um outro pedacinho pra você. É que tem amor demais aqui, menino. E eu quero dar ele pra você. Esse aí não muda, seja doce, seja jiló. Esse aí é meu, é daquela alma grande, é de verdade, não dá cárie. Até se desse… você me deixa tão quentinha, coisinha, que eu te amaria de um jeito só, a vida toda…mesmo se minha alma não te amasse, eu daria um jeito e te furaria, pra dormir quentinha para sempre em você.

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